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Texto de Segunda #02

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Não é falta de amor próprio. Sabe quando você conhece uma pessoa incrível, combina contigo em tudo, é você fora do seu corpo? Eu encontrei vários eus por ai e foi maravilhoso. Tudo o que queríamos era parecido, nossas vontades, nossos risos, nossas esperanças e nossos sonhos. Era eu fora de mim. Que sensação única. Me sentia especial por contar com vários eus. Não foram vários eus ao mesmo tempo, foram um em cada época e um eu diferente do outro, justamente porque eu mudo muito e o tempo todo. Cada eu era especial, eram momentos de indescritível alegria saber que poderia contar com esse eu ali, naquele momento e sempre. Cara, eu não podia estar mais enganada. Cada eu me decepcionou de maneira profunda e drasticamente mudou minha maneira de viver. Um eu era, na verdade, o total oposto do eu. Outro eu era uma fila do R.U. esperando sua vez de se servir. Um eu foi embora. Outro eu mora longe. Talvez fosse a somatória de todos os outros eus. E no duro fim da ...

Mantenham-las.

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Eu fico imaginando qual dessas crianças serão os próximos marginais? os próximos ladrões? os próximos governantes? Olhando essas feições de alegria, de desinibição, de vergonha, de medo, imagino quantos deles serão engolidos pelas dificuldades sociais, pelo capitalismo guloso, pelo desarranjo econômico. Bela infância, como mantê-la intacta, longe desse vespeiro em que estamos? Elis Regina, 2016.

23

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23...22...21...19...17...15...................números que marcaram minha vida.  Lembro do 22 porque uma vez eu adotei vários filhotes de pombas caídas no quintal ou jardim de casa ou na praça de minha cidade. E o nome delas era referente ao dia em que eu as encontrava. Sempre quis poder revê-las, mas pombas não são como cães, não podemos atá-las a uma coleira, até porque seria estranho, ou ainda engaiola-las e esperar que tudo ficasse bem.  Com muita dedicação eu as cuidava, tratava com arroz que eu mesma cozinhava (provavelmente a primeira comida séria que "aprendi" a cozinhar) e dedicava meu tempo àquelas aves.  Foram duas, três, quatro pombinhas...não recordo bem, mas tenho as fotos.  Lembro das pombas e as comparo com as pessoas. Não há como prendê-las, como amarrá-las, há apenas como amá-las e esperar que esse amor retorne para você, talvez de maneira estranha e adversa ou talvez nem retorne. Com o número 23, coleciono meu vigésimo terceiro inverno....

Quantos anos tem sua alma?

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Ando louca. Ando distraída. Ando perdida. Só ando, só ando. O tempo todo, tudo é urgente, tudo é maluco, tudo necessita do meu melhor. E eu só ando. As pessoas solicitam, pedem, mandam emails. E eu só ando e ando. Eles julgam, eles demandam, eles mandam. E eu só ando. Eu quero, eu persisto e ando. Ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ndo, ndo, ndo, ndo, ndo, ndo, ndo, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, o, o, o,o. Elis Regina, 2016.

Pra ser sincero, não espero de você, mais nada.

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Diante daquilo, como reagir? Um sorriso amarelo e, graças a Deus, havia música. Espero que ninguém tenha percebido. É óbvio que não vai ficar tudo igual, tudo normal. E para ser sincera, nem quero. Agradeço a honestidade, ainda que tardia, e agradeço também aos meses em que am bos foram falsos. E saber o que sei hoje, me tirou o sono. E saber o que você sabia, me deixou perplexa. "Não conta pra ninguém"...Mas é claro. Não consigo imaginar como conseguiram dormir durante esse tempo, sabendo o que eu sei hoje. Pois bem, felicidades são os meus votos. Ainda que não pareça, não levarei dores. De mim, essas serão as últimas palavras proferidas sobre o assunto. De ambos, apenas distância, eu mereço, convenhamos. Graças a Deus, ainda tem música. Pra ser sincera, até mais. Ainda em tempo: nunca quis o mal de ninguém e se o fiz, foi sem a intenção e a maldade, mas sobre isso, reflito se não é o universo me ensinando, mais uma vez, que ninguém, ou melhor, poucos sã...

Parei. de. escrever. sobre. o. que. eu. sinto.

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Parei de escrever sobre o que sinto. Parei. E sabe o por quê? Porque eu sinto tudo o que todo mundo sente. Ódio, amor, ciúmes, alegria, decepções, esperança... Sinto tudo isso e sinto igual aos outros. Parei porque o que eu preciso realmente dizer quase ninguém quer escutar, o que eu realmente preciso expressar quase ninguém quer ler. Se o digo é porque preciso te dizer. E acho que por parar de escrever sobre o que sinto é que devo escrever: que sou completamente feliz ao teu lado tão feliz quanto a Donna quando ganha comida. Sou tão feliz quanto a bebida gelada que veem para os lábios quentes. Tão feliz quanto a chuva em dias quentes e o sol em dias frios. Tão feliz que já nem lembro o por quê comecei a escrever tudo isso... Pois bem, parei de escrever sobre o que sinto. Agora, eu escrevo pelo o que eu sei. E eu sei que a felicidade está descrita naquele "Peppa, venha logo." ou naquele "Porca, vá se lavar". <3 Elis Regina, 2016 Ps: n...

A beleza é sim tudo.

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Hoje ao refletir sobre alguns aspectos da vida, percebi que muitas pessoas dizem: beleza não é tudo,  temos que ser mais na nossa vida. Cultivar amizades, sermos perspicazes, manter grandes vínculos na sociedade e outros. Ótimo seria se todos conseguissem isso, mas infelizmente, para alguns, é só beleza que eles terão e beleza para eles será tudo. A partir do momento que a beleza se for, não terão mais nada. Elis Regina, 2015.