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Pig face

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Não, não...Não, simplesmente não pode ser. Não...Não pode ser que isso seja verdade. Isso é tudo tão surreal. Você ali, há algum tempo atrás, não passava de um debiloide que insistia em falar bobeiras e beber demais. Você que havia estado em minha vida algum tempo atrás e, por favor, não passava de um mero conhecido. Ainda não caiu a ficha que dei a sorte grande ehehe.Ainda não caiu a ficha que você me encontrou e me fez perceber um mundo tão distinto do meu. Não quero falar de amorzinho, isso não é amorzinho, não é melô, não é drama, isso é mais forte, é mais verdadeiro. É, enfim, poder ser boba, feia, suja e todo e qualquer outro adjetivo pejorativo perto de você, enquanto você, bem, você é o mesmo. É poder ser verdadeira contigo o tempo todo e você simplesmente amar todos meus estágios e ainda assim, ao término da noite, ao pé do meu ouvido, falar que me ama. É mesmo no meio da madrugada, quando acordo de um pesadelo horrível, te acordar, pedir um abraço, um afago e pe...

Café da manhã

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Como é bom pela manhã, teu corpo no meu, meu corpo no teu. Beijos, abraços, carinhos. Brincadeiras, bobeiras, sorrisos. Como é bom a paz de um domingo preguiçoso. Sem pressa, sem horário, sem compromisso. Só nós. A música, a menininha. O sol, a chuva e o vento. O medo, a verdade e um filme longo. Sono sem fim, histórias, histórias, te conheço melhor. Me conheço melhor. Como é bom. Pela manhã. Elis Regina, 2016.

Texto de Segunda #02

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Não é falta de amor próprio. Sabe quando você conhece uma pessoa incrível, combina contigo em tudo, é você fora do seu corpo? Eu encontrei vários eus por ai e foi maravilhoso. Tudo o que queríamos era parecido, nossas vontades, nossos risos, nossas esperanças e nossos sonhos. Era eu fora de mim. Que sensação única. Me sentia especial por contar com vários eus. Não foram vários eus ao mesmo tempo, foram um em cada época e um eu diferente do outro, justamente porque eu mudo muito e o tempo todo. Cada eu era especial, eram momentos de indescritível alegria saber que poderia contar com esse eu ali, naquele momento e sempre. Cara, eu não podia estar mais enganada. Cada eu me decepcionou de maneira profunda e drasticamente mudou minha maneira de viver. Um eu era, na verdade, o total oposto do eu. Outro eu era uma fila do R.U. esperando sua vez de se servir. Um eu foi embora. Outro eu mora longe. Talvez fosse a somatória de todos os outros eus. E no duro fim da ...

Mantenham-las.

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Eu fico imaginando qual dessas crianças serão os próximos marginais? os próximos ladrões? os próximos governantes? Olhando essas feições de alegria, de desinibição, de vergonha, de medo, imagino quantos deles serão engolidos pelas dificuldades sociais, pelo capitalismo guloso, pelo desarranjo econômico. Bela infância, como mantê-la intacta, longe desse vespeiro em que estamos? Elis Regina, 2016.

23

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23...22...21...19...17...15...................números que marcaram minha vida.  Lembro do 22 porque uma vez eu adotei vários filhotes de pombas caídas no quintal ou jardim de casa ou na praça de minha cidade. E o nome delas era referente ao dia em que eu as encontrava. Sempre quis poder revê-las, mas pombas não são como cães, não podemos atá-las a uma coleira, até porque seria estranho, ou ainda engaiola-las e esperar que tudo ficasse bem.  Com muita dedicação eu as cuidava, tratava com arroz que eu mesma cozinhava (provavelmente a primeira comida séria que "aprendi" a cozinhar) e dedicava meu tempo àquelas aves.  Foram duas, três, quatro pombinhas...não recordo bem, mas tenho as fotos.  Lembro das pombas e as comparo com as pessoas. Não há como prendê-las, como amarrá-las, há apenas como amá-las e esperar que esse amor retorne para você, talvez de maneira estranha e adversa ou talvez nem retorne. Com o número 23, coleciono meu vigésimo terceiro inverno....

Quantos anos tem sua alma?

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Ando louca. Ando distraída. Ando perdida. Só ando, só ando. O tempo todo, tudo é urgente, tudo é maluco, tudo necessita do meu melhor. E eu só ando. As pessoas solicitam, pedem, mandam emails. E eu só ando e ando. Eles julgam, eles demandam, eles mandam. E eu só ando. Eu quero, eu persisto e ando. Ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ando, ndo, ndo, ndo, ndo, ndo, ndo, ndo, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, do, o, o, o,o. Elis Regina, 2016.

Pra ser sincero, não espero de você, mais nada.

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Diante daquilo, como reagir? Um sorriso amarelo e, graças a Deus, havia música. Espero que ninguém tenha percebido. É óbvio que não vai ficar tudo igual, tudo normal. E para ser sincera, nem quero. Agradeço a honestidade, ainda que tardia, e agradeço também aos meses em que am bos foram falsos. E saber o que sei hoje, me tirou o sono. E saber o que você sabia, me deixou perplexa. "Não conta pra ninguém"...Mas é claro. Não consigo imaginar como conseguiram dormir durante esse tempo, sabendo o que eu sei hoje. Pois bem, felicidades são os meus votos. Ainda que não pareça, não levarei dores. De mim, essas serão as últimas palavras proferidas sobre o assunto. De ambos, apenas distância, eu mereço, convenhamos. Graças a Deus, ainda tem música. Pra ser sincera, até mais. Ainda em tempo: nunca quis o mal de ninguém e se o fiz, foi sem a intenção e a maldade, mas sobre isso, reflito se não é o universo me ensinando, mais uma vez, que ninguém, ou melhor, poucos sã...